Nesse texto, lemos sobre um experimento realizado por
Stanley Milgram.
Esse experimento foi realizado para testar até “onde”
poderia ir a obediência de uma pessoa. Primeiramente Milgram realizou alguns
testes na Universidade de Yale, e logo depois aplicou o mesmo experimento em
escala maior fora da Universidade.
O experimento consistia em:
2 atores eram contratados (um para servir como o médico responsável e
outro como participante), logo após isso Milgram colocou um anuncio procurando
pessoas que estivessem interessadas em participar dessa experiência, e que cada
uma delas receberia 4 dólares pela sua participação. Ao chegar ao “laboratório”
montado, que foi posicionado em um local meio escuro, e com todos os materiais
de certo modo grotescos, para dar uma sensação de realmente ser um experimento
complicado; logo após o participante chegar ao laboratório era feito um “sorteio”
onde seriam divididos a participação entre cada um no experimento. E o ator
contratado, era escolhido para ficar preso a uma cadeira, com vários fios
ligados nele, e é informado que ele deveria memorizar uma sequência de
palavras, e a cada erro que ele tivesse ao memorizar as palavras ele recebia um
choque, que inicialmente começava em 15v e iria até os 450v (voltagem marcada
como letal). O outro participante era colocado em uma sala separada e por
microfone ele dava a sequência de palavras para o que estava preso na cadeira e
caso ele errasse, ele apertava o botão que dava o choque. O ator deveria se
comportar como se realmente tivesse tomando cada choque, chegando em alguns momentos
gritar para que os choques parassem, até em um momento em q ele não conseguiria
ter mais nenhuma reação.
Das pessoas que passaram por esse experimento, a maioria
delas foi até o nível considerado letal, apenas poucos desistiram de seguir com
o experimento.
A autora do texto, anos depois conseguiu localizar 2 dos participantes.
Joshua Chaffin, ex-militar e agora com 78 anos de idade, foi um dos que foi até
os 150volts. Mas ele desistiu de ir até o final, não por realmente estar
preocupado com a outra pessoa que estava recebendo os choques, em primeiro
lugar a sua preocupação era com a descarga emocional que ele estava recebendo,
e o possível mal que isso poderia estar fazendo ao coração dele; mas as
implicações que esse experimento trouxeram para a vida de Joshua são enormes,
para ele falar sobre o experimento ainda era como se fosse algo que tivesse
acontecido ontem.
O outro participante, que não quis declarar seu nome, usou
como nome falso: Jacob Plumfield, ele ao contrário de Joshua foi até o final do
experimento. Ele conta a autora que na época do experimento ele tinha 23 anos
de idade, e estava em uma situação muito complicada emocionalmente. Ele estava
envolvido em um caso homossexual, tinha ótimas notas, uma boa namorada, mas
nada disso realmente o estava deixando feliz. Depois de algum tempo, ele acabou
consumando a relação com o seu amigo, que acabou largando-o para se relacionar
com uma garota. E tudo isso deixava ele bastante depressivo, ele estava
morrendo de vergonha, e pressionado com toda a situação; então ele leu o
anuncio e simplesmente foi lá e realizou o experimento. Mas esse experimento
mudou completamente a sua vida. Ele conseguiu o peso de toda essa situação
sobre ele, e resolveu mudar toda a sua vida.
Esse experimento sobre obediência, traz muito do reflexo que
vemos em outros lugares da sociedade, na maneira dos contextos mais variados.
Para mim, sempre penso no cunho religioso, onde você tem toda uma hierarquia e
muitas vezes, uma obediência cega. Onde muitos apenas seguem um comando, sem
nunca se questionar se aquilo está certo ou errado, e se realmente a pessoa que
está te dando essas ordens é a real responsável sobre tudo o que vem a
acontecer.
Muitas vezes agindo exatamente como o experimento veio a
mostrar, simplesmente “apertando” um botão e ouvindo alguém dizer continue,
continue e deixando de lado a própria identidade. E muitas vezes se sentindo
intimidado ou envergonhado por ser diferente daquilo que lhe é imposto.
"Quantos milhões já não foram mortos em nome de um Deus sem rosto... Mortos apenas pela obediência a alguém que anteriormente, dizia ser um pregador da paz"
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